sábado, 15 de junho de 2013

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."


"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." - Saramago
Há um doce relevo que me conduz à recordação, trazida pelo vago entre a tarde que morre e a noite que se anuncia...
Pela nostalgia que se espalha no ar e pelo espaço vazio entre os dois momentos... final da tarde e início de noite... Pelo surgir, de qualquer canto, da saudade que invade e toma forma, para fazer-se notar...
Então vejo-te Avô...
A tez clara em oposição à contraluz do lugar... brilho ao mesmo tempo fosco e esfuziante... Cabelos discretamente Brancos, como flocos de neve de Inverso, apagados...
Olhos que acariciam-me, enfeitam-me... E deito-me em Teu colo tentando retroceder o tempo...
Queria esse tempo agora...
Utópico pensamento que me consola. Tuas mãos calejadas no meu ombro fazem-me renascer...
Adormeço com o teu cântico a me embalar ... e de novo me gerar.
Meu Avô...Eterno Pai...
Acordo... enquanto o doce encanto se desfaz... olho para o espaço vazio entre a tarde que se vai e a noite que ainda vem. É o momento de reencontrar a Saudade...
Saudade 
Hoje não consegui conter toda essa vontade de dizer...
Hoje meu coração procurou desesperado por ti...
Tenho saudade de te...
Hoje quero falar de saudade, descrever contra o vento enquanto o pensamento alimenta meu tema (saudade) meus olhos iniciam os versos enquanto eu rabisco enxugando-os, meu coração acelerado procura no ar teu cheiro, aos poucos posso ouvi-lo dizer... Queria tanto ter-te aqui...
Enquanto minhas palavras procura um caminho nestas linhas tão perfeitas da saudade buscando a brisa a favor que me faça voar através do tempo e distancia e possa abraçar-te... ah como queria esta juntinho de ti... Tenho saudade de tuas mãos procurando-me acalmar durante as tempestades...
Saudades de ficar olhando-te só por te olhar
Saudade de ficar a teu lado só por estares lá sentado
Saudade das pequenas acções, saudade de ver-te caminhar
Saudade de ouvir-te falar
Saudade de ver-te sorrir
Saudade de poder abraçar-te
Olhar em teus olhos e sentir-me o menino mais protegido do mundo
Não há fim, não há tamanho apenas tenho saudade....
Eu sinto cada batida do meu coração triste enquanto minhas mãos descreve saudade...
Por que descrever saudade deixaste-me com tanta vontade de dizer-te bem de perto...




P.S. Carpe Diem


Watching the night sky


Como Astrónomo (ainda que amador), sempre foi inevitável olhar para toda aquela imensidão que nos envolve num infinito sufocar... sem fazer perguntas existenciais!!! Solidão, Saudades, Origem, Futuro e acima de tudo Amor... 
Em algum lugar do universo, alguém procura alguém. Mas não sabe quem, nem qual é seu nome. Mas aspira que alguém apareça. Em algum lugar do planeta, nestas luzes acesas existem pessoas a divertirem-se e a desejar que jamais esta noite acabe. E pessoas a sonhar. E pessoas a dormir e pessoas que não conseguem dormir por preocupação.
Alguém ligou a luz para ver as horas. Alguém torce para que as horas passem. Alguém querendo que a semana acabe. E alguém deambulando em seus pensamentos, procurando no que se preocupar. E alguém que não tira alguém da cabeça. Alguém esperando uma mensagem, alguém recebendo sem nem dar importância. 
As pessoas a agir errado porque não sabem mais o que é certo... Alguém a agir errado porque o certo não adianta mais... Alguém a pensar quais serão suas consequências mais tarde... Alguém olha as luzes... Alguém tem tudo nas mãos mas não sabe como agir.... Alguém que não aguenta mais esperar e vai ligar...
Mas ninguém atende... Alguém sabe que a lua ilumina o céu, mas só consegue olhar a solidão... Alguém cansou de errar... Alguém que justifica seus actos... Alguém que espera respostas... E alguém que vai dormir para o tédio pare de consumir... Alguém que precisa tanto de alguém que não sabe o que fazer quando encontrar!!! 
E quando encontrares, vê... Ela pode não estar a pensar em ti a cada segundo do dia, mas ela dar-te-á uma parte dela que ela sabe que tu podes partir - o coração dela.
Então não a magoes, não a mudes, não analises e não esperes mais do que ela pode dar.
Sorri quando ela fizer-te feliz, diz a ela quando ela deixar-te com raiva, e sente a falta dela quando ela não estiver por perto.
E Alem do não saber o que fazer, quem sabe, não saber o que dizer...
Acho que nunca te disse o que sinto por ti.
Não consigo.
As palavras parecem-me sempre fechadas... objectivas... finitas... comuns... vulgares!!!
E não é nada disso o que sinto por ti.
Assim, quando me olhas nos olhos, rendo-me lentamente…. e deixo-te entrar.
Deixo-te vaguear dentro de mim. Deixo-te deambular por cada canto dos meus sentimentos.
Deixo-te ouvir, numa linguagem que só nós entendemos, todos os meus medos, as minhas angústias, as minhas dúvidas, os meus desejos e as minhas paixões.
Deixo-te ler cada grito do desejo desmedido que sinto por ti.
E, quando abandonas o meu olhar, a tua expressão de felicidade entrega-te. Nesse instante, sinto que percebes que jamais poderei dizer o que sinto por ti.
Porque não é dizível. Porque não existem palavras que o exprimam. Apenas um olhar.
Às vezes tenho medo de olhar nos teus olhos do que eles possam dizer e eu pensar que entendo
sem perceber... e perceber sem entender... então tenho medo... de não ser o que penso
quando penso a sonhar o que eles querem dizer!...
És meu Universo, és o meu sonho, fazes de mim quem eu sou, segurar-te em meus braços é mais natural
 para mim do que o meu próprio batimento cardíaco, cada sopro de mim é um suspirar por ti, pulsas em mim numa adrenalina que me mantém vivo. Eu penso em ti o tempo todo. 
Mesmo agora, enquanto estou sentado aqui, a escrever sobre o luar ténue, eu penso sobre ti. 
Nunca poderia ser mais ninguém. 
Que chama é esta que queima o meu coração? Renasce das cinzas a cada dia sempre e mais. É chama viva que incendeia e me enlouquece... Dor invisível doendo sem autorização ou medida.
Há dias que é tão grande que não consigo respirar...
Deixa eu dizer-te que te amo... 
Deixa eu repetir a mesma frase sem notar
E repetir várias vezes sem parar
Eu amo-te, eu amo-te…
Fico enrolando nestas linhas procurando um elogio ainda não descrito
Uma frase única para ser destinada apenas para ti.
Deixa eu dizer-te como é bom poder te amar
Ter-te comigo, conversar, puxar assuntos só para ver-te falar
Ficar debaixo do cobertor assistindo e observar-te dormir
E então os poemas são criados pronunciados no olhar
Digitados pelo coração acelerado em ritmos frenéticos
Se eu ao menos pudesse escrever, mas neste instante não quero acordar-te
Quero deixar meu braço dormente sacrificar ao vento as palavras que não podem ser escritas
Porque sei que encontrarei de volta em teus beijos, em cada sorriso
Encher meu pensamento de frases que alojam-se em lágrimas nos meu olhos
E quando tento descrever em versos repito
Eu amo-te, Eu amo-te...
Entre frases resumidas e representadas por uma única palavra
Quero apenas dizer-te que nada seria escrito se não tivesse vivido todos esses
momentos contigo é tão rápido e intenso não vou parar
vou descrever esse amor quem sabe um dia vou poder falar-te
Olhar em teus olhos e dessa vez não vou esquecer de respirar
Vou falar sem ser apenas no olhar
E se nada conseguir dizer... puxarei-te para perto, bem perto
E deixarei que escutes...
Fecha olhos eu peço-te
Talvez repita o mesmo verso
Mas a tradução só mesmo teu coração pode dizer-te...
Dizer-te não por palavras, não por gestos... mas por uma vida inteira!!!




P.S. Carpe Diem 

Felina!!!


No seu olhar habita uma Pantera, pronto a saltar da alma... Sobrevoa a minha vida deixando-me com Medo e Fascínio. Com a índole pérfida dos felinos, diverte-te, brinca até ao limite da resistência das suas presas.
Porque não sente prazer em devorá-las rapidamente. Em seu julgamento subtil é força e cenário.
Sua clemência fingida é teatral, e este é o jogo – O seu Jogo. A sedução elegante que mistifica o predador, articulado até ao acto final, quando salta do olhar.
Quase Mortal, a fera solta ama, envolve e encanta. Serve-se do farto banquete – meu banquete... Saboreia a presa que lhe entrega cada parte.
Com Arte, saboreia parte por parte. E neste único momento faz permissões, mutuas satisfações – em proveito próprio.
Mas logo, por cautela a alma, recolhe o tigre aos olhos, frio, volta à jaula fria e se protege até a próxima caçada, quando a fome e a sede atiçarem seus instintos. 
Abatida a presa respira, recompõe-se, dorme e sonha com os dias de espreita e caçada.


P.S. Carpe Diem

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fé e Esperança




Mais uma bela surpresa.... 
“Life of Pi” é um filme encantador, capaz de enternecer o coração de miúdos e graúdos.
Um filme pelo qual se esperava preencher minutos com imagens bonitas, quando na verdade nos deixa sem palavras!!!
No início, o fio narrativo faz lembrar o também oscarizado “Forrest Gump”. O Publico é apresentado a Pi Patel (Suraj Sharma na versão adolescente da personagem), um menino diferente dos restantes e deveras inteligente, que se interessa por assuntos que não lembram a ninguém e que decide tornar-se adepto de todas as religiões à face da Terra. À medida que vai crescendo, Pi vai enfrentando as várias facetas do mundo terreno, encantando-se com alguns aspectos e tornando-se melancólico em relação a outros. 
Ao atingir a adolescência, contudo, o seu mundo altera-se por completo. A família de Pi decide levar o zoo que administra para o estrangeiro, mas o navio em que viajam tem um acidente e acaba por naufragar. Todos os tripulantes (homens e animais) morrem nas águas geladas do Pacífico, excepto o próprio Pi, um tigre feroz que dá pelo nome de Richard Parker, uma hiena irritante, uma zebra assustada e um símio pachorrento. Estes cinco seres vivos buscam a salvação num pequeno bote salva-vidas.
A beleza dos cenários e a harmonia com que Ang Lee usufrui da tecnologia para levar a bom porto uma história difícil de contar são os aspectos que mais saltam à vista neste “Life of Pi”. Lee filma a Índia como ninguém havia feito antes, submetendo o espectador a um delírio visual e auditivo que tão cedo não será esquecido. A partir do instante em que o navio naufraga e a batalha pela sobrevivência começa, “Life of Pi”
torna-se menos encantador. Mas, curiosamente, é aí que se torna também mais divertido e onde Lee saca da cartola uma palete de cores verdadeiramente deliciosa. Há muita coisa a retirar desta obra, desde o respeito que deve haver pela condição animal à forma como a imaginação pode salvar a vida de uma pessoa nos momentos mais delicados. É um filme com uma mensagem oculta muito forte, aproveitando-se de metáforas e do poder da imaginação para alcançar lições de vida bastante relevantes.  Muitos dos planos de câmara são avassaladores e os efeitos especiais merecem igualmente uma palavra de destaque.
A escolha do actor foi perfeita. Ele passa legitimidade como contador de história. E mesmo que apareça muito menos que o jovem Suraj Sharma, que vive Pi na juventude, Khan é fundamental para esta história. Ele nos fascina como narrador da mesma forma com que impressiona ao escritor estrangeiro interpretado por Rafe Spall. Porque ele, no fundo, somos todos nós, “ignorantes” na cultura e nas peculiaridades dos indianos. Olhamos para aquela realidade, a exemplo de Slumdog Millionaire, com admiração e fascínio. Afinal, é uma cultura muito diferente da nossa e, ao mesmo tempo, ela guarda certas semelhanças com a diversidade e os contrastes da Europa e do Ocidente... 
O segundo ponto que me fascinou na história foi a sua ideia de diálogo religioso. Não demora muito para Pi nos ensinar que todas as religiões são válidas porque todas, há sua maneira, tratam de devoção, respeito a uma (ou mais de uma) divindade(s) e de amor. Mas ao invés de igualar todas as religiões, o protagonista deste filme mostra as diferenças entre elas, e como cada uma pode tornar o homem melhor de uma maneira diferente. Assim, Pi segue o hinduísmo, como qualquer indiano, encarando os seus diversos deuses como super-heróis... fica fascinado com o cristianismo, admirando a história de doação de Jesus... e também conhece Deus através do islamismo, quando percebe como a religião pode ser sentida fisicamente e dar paz de espírito. Nas palavras de Pi, ele conheceu a fé pelo hinduísmo, o amor de Deus pelo cristianismo e a serenidade e a irmandade pelo islamismo.
Um belo exemplo!!! De como a curiosidade pacífica pode levar uma pessoa a conhecer o melhor das diferentes religiões e, desta forma, entender melhor os seus irmãos. O curioso é que, em casa, Pi tinha um pai ateu e uma mãe que não era muito religiosa, mas apegada ao hinduísmo como um último elo de ligação com as suas origens. Com isso, nosso personagem mostrava carácter e independência na forma de pensar. Algo que lhe acompanharia para o resto da vida. Essa reflexão, jogada tão cedo na tela, fascinou-me. E para fechar, Pi ensina que há muitas dúvidas para quem acredita, mas que isso é importante quando a fé é vista como algo vivo. E aí vem outro ponto interessante da história.
Pi aprende, com Mamaji, que o medo paralisante ou desesperador poderiam ser os seus principais inimigos. Assim, ele não aprende apenas a lidar com a água, mas também a ter um grande fascínio pelos animais. Especialmente por Richard Parker, um tigre de bengala que faz parte do zoológico da família. Ele respeita o tigre e tem uma grande admiração por ele. Mas aprende, com o pai, que deve temê-lo, e encará-lo como um animal cruel. Qualquer ligação afectiva que Pi possa acreditar que existe, ao olhar no olho do tigre, ensina Santosh Patel, deve ser vista pelo filho como um reflexo de suas próprias expectativas.
Esta é uma forma de olhar para um tigre e para a Natureza. Mas há outras... E grande parte de Life of Pi vai tratar desta segunda maneira de encarar a Natureza. Ela é fascinante, e podemos aprender muito com as características de cada animal. Assim, quando Pi está sozinho com quatro tipos de bichos em um barco após o naufrágio do navio que está levando ele e a família para o Canadá, ele observa as características essenciais de cada um deles. Aprende a entendê-los, respeitá-los e temê-los. Mas depois, quando fica sozinho com Richard Parker, percebe o quanto o “diálogo” entre eles é o que garantirá a sua própria sobrevivência.
O visual é fantástico, e a trilha sonora de Mychael Danna ajuda a embalar a história e torná-la ainda mais emotiva e dinâmica. O aprendizado de Pi com Richard Parker e vice-versa é pura fantasia e, para pessoas que não se importam com histórias assim, um verdadeiro brinde.
Mas aí que o filme nos prega uma partida e revela, perto do fim, toda a sua grandiosidade. Afinal, ser apenas uma história difícil de acreditar, mas fascinante, da sobrevivência de um jovem de um naufrágio junto a um tigre, não tornaria Life of Pi grande. Seria, apenas, interessante, bem feito, bonito. Mas quando descobrimos, como o escritor que escuta este conto, que esta história é uma grande parábola para o protagonista lidar com a própria dor e com aquela situação traumatizante, percebemos o quanto Yann Martel realmente escreveu uma grande história. Ao pensar em tudo que acontece após o naufrágio com pessoas específicas no lugar dos animais, Life of Pi ganha outra dimensão.
As pessoas são, muitas vezes, muito mais cruéis que qualquer “animal selvagem”. Somos capazes das maiores brutalidades, das acções mais inacreditáveis – para o bem e para o mal. Life of Pi trata um pouco sobre isso. Aproxima-nos das nossas origens, animais, mas revela, também, como podemos superar estas origens para darmos exemplos de grandeza. De valentia, coragem, generosidade e amor. Os japoneses, que sabem como poucos lidar de forma lírica com a dor e a perda, conhecem bem a força de uma parábola. De uma história fantástica para tratar de sentimentos importantes. Não por acaso, são japoneses que escutam Pi e fazem um relatório final que ajuda a consolidar a sua história.
Muito bem pensado, e muito relevante, a pergunta que Pi faz para o escritor – que somos nós – no final. Qual história nós preferimos, levando em conta que nenhuma delas explica o naufrágio e nem elimina a dor e as perdas que ele sofreu? Fica a critério de cada espectador fazer a sua escolha. Mas evidente que esta é uma alegoria, uma forma poética de encarar uma realidade que foi muito mais cruel. Um belo ensinamento, em todos os sentidos. 
Nada como ser surpreendido positivamente, não é verdade? Eis aqui uma história interessante e diferenciada, rara no cinema actual. Um filme que fala como as parábolas fazem sentido. Como é belo pensar em uma forma diferente de encarar a dor, e de enfrentar situações que não deveriam ter acontecido. A perda e a dor podem ser embaladas de uma forma diferente para conseguirem ser levadas adiante. Lindo visualmente, Life of Pi é ainda mais bonito na mensagem.
Um exemplo de como a fé e esperança pode dar uma nova luz no caminho!!! 



P.S. Carpe Diem

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Saudade Eterna!!!



O dia amanhece e com ele o nascer do Sol, como em tantos outros dias... mas sendo este tão igual e tão diferente, partilha este sentimento que intensifica nesta data... já passaram 2 anos...
Já, porque o tempo parece não ter piedade, tanto tempo que esta dor dura e perdura... É muito triste entrar ir a casa e não te encontrar, não sentir a tua presença física... Apenas o vazio... é muito triste sentar-me à mesa e não te ter!!! Ver a cadeira em que sentavas... É muito triste todos rirem e não ouvir o teu riso, alegre contagiante que enchia a casa toda, é muito triste jogar as cartas, olhar a poltrona à lareira vazia que balança sozinha, é muito triste entrar no teu quarto ver tuas roupas, tua cama, sentir teu perfume e não te ver mais ali sentado ou deitado a dormir... É muito triste pensar que vivi tanto tempo ao teu lado e talvez não te tenha dito que te amava tanto quanto mereces... É muito triste rever tuas fotos e não poder tocar-te não poder te sentir nas mãos... É muito triste pensar que o mundo existe sem ti, que amas-te tanto a vida e dela te despediste... É muito triste caminhar sozinho sem ter teu apoio que sempre tinha uma voz amiga para meu consolo... É muito triste pensar que o dia vai a noite entra, e tu não estás aqui para mostrar-me o sol poente... É muito triste a noite vazia sem teu brilho admirando as estrelas e dizendo-me... Quanto Orgulho tens de mim... 
É muito triste viver neste mundo sem tua presença para estarmos juntos em cada novo dia a nascer... É muito triste saber que não estás mais aqui para dar-me tuas mãos e dizer que está tudo bem... Assim vou levando a vida sentindo tua falta, como um vento frio que vai gelando a minha alma e mostrando este sentimento de saudade dentro do meu ser, pela tua ausência esta dor aguda como um alfinete dentro do meu peito e que nada faz parar esta dor... Que é não te ter mais para me dizeres que... Também sentes esta saudade eterna por não me teres... Que saudade eterna de ti meu Avô!!! 
Como preencher o vazio da saudade?
Aquela que vem matando-nos, sem piedade, vezes até sem maldade.
Olhos cintilando, sentimento de abandono. Querendo razões para entender, aquilo que o coração se nega a ver...O choro fixado coração apertado, e a falta de ti ao meu lado. Sem entender qual foi do pecado...
Fico em busca de palavras, que possam expressar, tamanha saudade que me magoa. Saudade que dói que corroí. Esse sentimento parece rasgar o peito, sensação de não ter jeito. Essa que só sabe insistir, Ah! Saudade... Saudade que magoa e invade... Saudade que trás-me lágrimas e tristezas, saudade que faz-me querer-te poder abraçar mais uma vez... Saudade do teu abraço... Saudade que machuca e invade... Saudade do teu sorriso... Saudade do teu olhar... Saudade do teu cheiro... Saudade dos teus conselhos... Saudade de ter-te comigo... Saudade deste teu menino... Saudade do teu carinho... Essa saudade que invade todo o meu ser. E tu és o dono dessa saudade que hoje trás-me as lembranças de que um dia fui muito feliz contigo...
Saudade não tem forma nem cor não tem cheiro nem sabor. Falo nela, mas não se vê, só pensa na saudade quem acredita nela, ela é parte da ausência...  a saudade é parte do amor, a saudade tem realidade, mas quem a tem sente dor... uma dor pequenina que cresce dentro do coração que nunca vem sozinha, vem acompanhada da solidão que quem a sente nunca esquece, nem nunca a esquecerá... é um sentimento que nunca adormece.. 
Quem ama sofre de saudade!!! E eu sinto tantas saudades tuas Meu querido Avô!!! 



P.S. Carpe Diem

domingo, 11 de novembro de 2012

Existem Dias...




A noite chega muito subtilmente, faz minhas pupilas dilatarem... avanço lentamente no tempo dos sentidos, dormente, sem cor… Sinto o vento no ouvido, frio e insano, sou sombra do meu sonho, mas caminho… Pulo as barreiras de palavras mansas, não quero ser lágrima... limpo a alma de incertezas …
Sou o hoje, puro, mas com asas… Amo a vida e o amor, sempre…de ternura e magia, entregues a cada inspirar… Sem tempos, momentos inscritos... limpo o sótão, levanto a vela à esperança, espelho o sorriso da criança ... o brilho do sol, a paz do velhinho ... Existem dias para tudo!!! 
Existem dias em que eu júbilo
Existem dias em que eu calo
Existem dias em que eu escuto
Existem dias em que eu falo
Existem dias em que eu transformo
Existem dias em que eu falho
Existem dias em que eu recuo
Existem dias em que eu ultrapasso
Existem dias em que eu atiro
Existem dias em que eu refaço
Existem dias em que eu critico
Existem dias em que eu disfarço
Existem dias em que eu entristeço
Existem dias em que eu transbordo
Existem dias em que eu apareço
Existem dias em que eu atraso.
Existem dias em que eu reflicto
Existem dias em que eu escureço
Existem dias em que eu recupero
Existem dias em que eu enlouqueço...
Mas nisto tudo há sempre espaço... Espaços abertos
Meio pelo qual o ar renova-se...Ponto em que se observa a luz, ou a transição da sua ausência na totalidade... condição que favorece um astrónomo ou qualquer apaixonado pelo infinito... ao admirar, ver, acompanhar, ou simplesmente sentir, ora seja por instantes pequenos ou o aproximar de uma brisa e que toca com suavidade a quem quer abri-las.

...DA ALMA:

Ela permite acesso aos sentimentos que insistimos em condicioná-los do lado de fora de nós... Mas, que em determinadas “situações”, revelam-se e nos invadem... assim como a estranhos que penetram em uma casa... Seis graus de turbulência interna e que quase nos convencem a desaparecer... Imagens e palavras com que não convivemos... Porém, mantendo-as abertas,  as “situações” estarão sempre ao alcance da visão, e de se conhecer na verdade.

... DA MENTE:

Abri-las, permite-nos substituir o ar pesado, denso e asfixiante da ditadura do preconceito, da rigidez intelectual e de um individualismo vivo, em um organismo composto de milhões de outros microscópicos indivíduos que se esforçam, sem descanso, para suprir a vida em nós todos os dias!!!


Sente,
Respira,
Reflecte,
VIVE...

Vive intensamente cada momento da tua vida,
afinal, Deus deu-te essa, para promover o teu
amadurecimento e crescimento interior!!!



p.s. Carpe Diem

"Once Upon A Time..."



A tua vida até aqui foi repleta de sonhos e quedas, mas principalmente de aprendizado... o dia de amanha floresce novo e fresco como um doce e delicado botão de rosa a brotar... e depois irás transmitir tudo o que  aprendeste aos teus... quando tiveres uma filha, vais ensinar a ela que príncipes encantados existem sim, mas não como nos livros, como nos contos de fadas e histórias de encantar (Once upon a time). O verdadeiro príncipe encantado, na maioria das vezes não tem um cavalo, ou até um carro, mas isso não importa, ele vai até a tua casa a pé, só para ter contigo. O príncipe encantado não precisa de ter as melhores roupas para ser um príncipe. Ele tem que tratar uma Mulher bem, com respeito, compreensão, ama-la sem magoa-la. Vais ensinar à tua filha que o príncipe deve ser gentil e trata-lá com carinho. Vais dizer que o verdadeiro príncipe é fiel, não trai e não magoa o coração da princesa. Vais dizer porém, que encontrar um príncipe é muito complicado... não a podes iludir como fizeram contigo, mas se ela perguntar se já conheceste um príncipe, terás a felicidade de dizer que sim, e que ela pode ter orgulho em chamar o teu príncipe de pai. 

Uma mulher pode ter muitos Homens a seus pés... mas ela merece o Único que está à sua altura... 







p.s. Carpe Diem


“Capoeira é um estilo de vida, um estado de espírito(…)”




Como não podia deixar de ser... tenho que falar sobre a Capoeira... mais do que um gosto, mais do que uma forma de vida... é uma parte de mim!!! 
Capoeira é música, poesia, festa, brincadeira, diversão e acima de tudo, uma forma de luta, manifestação e expressão do povo, do oprimido e do homem em geral em busca da sobrevivência, liberdade e dignidade!!
Ela servia para os escravos se defenderem dos feitores na época da abolição. Capoeira nessa época era crime e quem fosse pego praticando Capoeira era preso. Capoeira tem dois estilos: 
Capoeira Angola de Mestre Pastinha e Capoeira Regional de Mestre Bimba. 
A Capoeira, como Mestre Pastinha disse, é tudo que a boca come. E como o ar, sabemos que está lá, respiramos e precisamos dele... 
Nos tempos em que a vida na terra era plena, ninguém dava atenção aos homens notáveis, nem distinguiam o homem de habilidades... os governantes eram apenas os ramos mais altos das árvores e o povo como os cervos na floresta... eram honestos e justos sem se darem conta de que estavam "cumprindo o seu dever"... amavam-se uns aos outros, mas não sabiam o significado de "amar o próximo"... a ninguém iludiam, mas nenhum deles se julgavam "um homem de confiança"... eram fidedignos, mas desconheciam que isso fosse boa fé... viviam juntos em liberdade dando e recebendo, mas não sabiam que eram generosos... por esses motivos seus feitos não foram narrados... eles não deixaram história!

"Nunca discuta com um idiota. Ele leva a discussão até o nível dele e depois ganha pela experiência."


Capoeira é tudo isto....
É dança? É jogo? É luta? É tudo isso ao mesmo tempo? Parece que sim, e é isso que a torna tão complexa, tão rica, tão surpreendente. É luta, "das mais violentas e traiçoeiras", dissimulada, disfarçada em "brincadeira", jogo de habilidade física, astúcia, beleza... e muita malícia! 

É impossível para qualquer capoeirista, ouvir o toque do berimbau... a roda fechada... e não sentir  o corpo vibrar... é chegada a hora de gingar... "joga menino... mostra o que o mestre ensinou!!! e que ao cortar a planta... nossa semente brotou!!!" 



"Engaiolado num corpo flexível,
Leve como o ar,
Veloz como um raio
Audaz como um felino.
Que me guia em cada roda
Que me libra em cada esquiva
Que me faz cantar como o coração
E me faz transpirar, como as lágrimas.
Pelo perdão, pela falsidade,
Lembro-me do negro
do branco
do mulato
Lembro-me da dor e da solidão
Do amor que tenho por ti, Capoeira
No meu peito está contida a oração
Busco no além, forças em meu Deus
E no passo de cada ginga
Quando oro
No templo maior, eu corpo
Sinto as lembranças e as veias rígidas de uma juventude sofrida
Que, com mãos cálidas, aprendeu
A meia-lua e o aú
E, com olhar de sonhador
Lançar para o infinito."



Quando jogo capoeira meu corpo ora…


Quando oro


Quando jogo


Dissimulo e descubro meu artista interior, meu espírito!!!


O Importante não é nunca cair, mas sim levantar sempre... 


"A vida é como na roda... é preciso gingar sempre!!!"






p.s. Carpe Diem

terça-feira, 19 de junho de 2012

Simplesmente!!!



Fantástico não é? Pequenos momentos como este passam por ti a todo o instante... sim é isso mesmo... com a mesma magia e magnitude que a Natureza exige... mas passam-nos despercebidos!!! E porquê? 
SIMPLICIDADE
Algo tão simples, mas ao mesmo tempo tão intenso... tudo à tua volta é assim, basta parares, e deixa de olhar... OBSERVA... 
A simplicidade parece ser uma parte das pessoas e coisas, ela pode estar no néctar das flores, no olhar de uma criança, em fim, em tudo que há de bondoso no mundo. As cores parecem todas muito nítidas, cobertas de vidas e esperanças.
Cada insecto miúdo que pousa numa flor deixa o ar mais purificado e encantador, mas às vezes rouba sua fragrância deixando-a sem vida. Mas nem por isso, elas tiraram o verde do campo, que ali existe. O lugar parece parado mesmo avistando um pássaro cantor que vem de um lugar distante a procura de algo para comer, parecendo estar exausto, vindo do norte para o sul, com expectativas de ver tudo o que lá deixou.
Mesmo com a poluição o lugar recebe um pouco de luz que o olhar das pessoas deixam quando passam por lá. De repente, aparece uma gota de água caindo numa única rosa, o barulho calmo da chuva passando entre as aves que o verde das folhagens daquele jardim.
Às vezes é doloroso nós falarmos que não é fácil ver as verdades claras no meio de um cidadão. Com o dinheiro na mão, o homem pode comprar tudo o que vê nas montras, aparelhos sofisticados. Quem o dinheiro faz ficar rico, mas nunca traz a felicidade das pessoas seja ela qual for...
A simplicidade nasce no coração limpo daqueles que sabem o seu significado por isso ela deve ser conservada e dita livremente sem nenhum temor. Ela deve ser observada nas flores que vão expondo o seu perfume e plantando a paz no mundo e no coração de quem não conhece o seu significado. 
Quando eu era criança bastava-me uma pedrinha e um pau para fazer a festa toda e brincar como se não houvesse amanha... hoje sou eu mesmo, com as coisas mais simples, mas verdadeiras, vivo o dia como se fosse o ultimo... faço a festa toda e sou imensamente feliz!!! 
É verdade, não é fácil... mas também quem disse que seria? Aliás, quem disse que eu queria que fosse fácil?  Momentos difíceis fazem-te aproveitar melhor o bons, testar tua força, errar, aprender e amadurecer...
Das tempestades do tempo que abalam tuas vindas, que transformam tua vida, das marcas da historia, contraditórias ao teu bem viver, das sucessões que trouxeram-te aqui, da inquietude que prende-te, em não querer voltar. De não querer mais errar, das versões de historias que ouviste, da existência de uma alma sensível e perdida de uma linda princesa ou de um nobre que em ti existe...de erros do passado já esquecidos em futuro de obrigações e alegrias de tempos crescentes e favoráveis ao que se sente das dores, dos amores que já arderam em ti, do interior ferido, que sabe ferir, de tuas simples palavras, modestas e rebuscadas, de tua força em bem proteger ferindo ingenuamente com o intuito de não querer perder, da construção de uma personalidade forte, muitas vezes cobiçadas... botadas à prova..
O teu reinado esta por vir, o mundo espera-te, sê feliz... A tolice nunca foi um erro, sabe aproveitar...
A vida existe para ser vivida, não caias nos empecilhos do tempo, vive cada momento eternamente, caminha, promove , forma avenidas, onde circulem os faróis da alegria.
O presente que prendeu-se ao passado e ao futuro revelou-se, despertou com ele uma linda flor, digna de cada sentimento, que semeia o amor.
Pessoas surgem nas nossas vidas, algumas são como os cometas...rápidos, deixam vestígios, rastros reluzidos, impossíveis de serem esquecidas. 
As vezes são pessoas desconhecidas, longe, ou frente a frente postados, sentem-se como velhos conhecidos, por uma força estranha atraídas. Almas gémeas ou duas vidas, afinidades e os mesmos sentidos, vivendo juntos ou separados, ou por distâncias indefinidas.
Outras permanecem em nossas vidas, como lindos astros, seres iluminados, com os seus espaços respeitados, enfeitando o céu de nossas vidas!!! 
Sê assim, o tempo não volta atrás, tu és tudo que pensas, basta creres, não há mais tempo a perder, não te preocupes em errar, só não deixes de reconhecer-te... Sê sempre tu mesmo, mantém-te original,  não te tornes numa cópia de ninguém... para reflexos basta um espelho não achas? 
Olha para ti, gosta de ti, gosta do que te rodeia, presta atenção aos pequenos milagres que a vida produz, a vida é bela... e tão curta... por isso não percas tempo... Vive como se não houvesse amanhã... 
Façam um favor ao Raúl Solnado e sejam felizes, e sigam o conselho do António Feio... Faz e diz tudo o que tens para fazer e dizer... A felicidade esta nas coisas mais simples durante o teu percurso, e ao longo do tempo saberás onde se encontra a verdadeira sabedoria... 


p.s. Carpe Diem

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Caminho, Meu Mestre... Meu Pergaminho de Vida!!!



O que é um caminho? Muito bem, antes de mais tive o cuidado e a curiosidade de pegar em um dicionário e procurar o significado "mais correcto"... e o resultado foi:

"Caminho :  Nome genérico de todas as faixas de terreno que conduzem de um a outro lugar. 2. Estrada, atalho, vereda. 3. Espaço que se percorre. 4. Direcção. 5. Meio, via. 6. Destino. 7. [Náutica] Rumo."
Caricato não é? Porque a maior parte das definições, são palavras que usamos no dia-a-dia mas que no entanto  não associamos a origem... talvez porque a maioria esteja demasiado ocupada com a felicidade do destino, ou a da direcção, mais o certo é que ninguém começa uma casa pelo telhado e esquece-se da maior aventura que é a vida...  pequenas coisas encontrarás enquanto caminhas, mas só te farão feliz se tu deixares, que não as ignorares... Felicidade é uma viagem não um destino, para ser feliz lembra-te de sorrir sempre... Não há hora! Lugar ou local para ser feliz... Começa a aloja-la dentro de ti mesmo... Ela faz de ti uma morada sem fim... A felicidade é o caminho! Não ao fim... A Felicidade é como a uma boa bebida de sorrisos em harmonia... Quando essa bebida de felicidade começa fazer efeito ele inicia com o que há dentro de ti mesmo e faz explodir toda harmonia... E uma musica na dose certa com toque de felicidade extrema... E faz-te superar obstáculos e ver que eles foram feitos para determinar como podes ser um humano forte e superar e ser sempre mais feliz que antes... A felicidade e o caminho não só o desafio a ser buscado... São inúmeros os caminhos.
Caminhos de flores, caminhos de pedras, salpicados de estrelas, ou simplesmente caminhos...
Eu próprio sou um caminho... Onde pessoas passam a todo o instante.. sou longo para alguns, tortuoso para outros, sou de terra batida, sou asfalto que reluz o sol, sou coberto de pedra e pó, mas sou um caminho... Posso tornar-me coberto de flores, que abafam os passos, ou simplesmente ser cheio de espinhos para dificultar o caminhar, sou um caminho que leva e trás saudades e alegrias, sou um palco por onde passam sonhos e fantasias... sou um caminho regado por lágrimas, ou iluminado por sorrisos percorridos pela esperança, pelo desejo, pela vontade, pessoas infelizes procuram a felicidade e conforto encontrar, amigos transitam tranquilos e em paz, cada passo nesse caminho, conduz a um novo destino.
Nas pedras do caminho está a aprendizagem, o entendimento da viagem... Fui pisando, ferindo meus frágeis pés, mas fui admirando a paisagem... fui cantando ou dançando à chuva, porque pelas estradas da vida eu segui sempre amando a vida, vivendo... 
Pela estrada da vida fui observando... O rio... O dia frio... O vento... O calor... As estrelas... A lua... A rua... Fui observando o riso de uma criança... Um macaquinho a saltar... Fui olhando... Vi uma linda rosa... Um jardim... Um parque destruído... Vi um castelo sendo levantado...Vi um castelo desmontado... Vi o que foi-me dado... O que foi-me tirado... Vi tanta coisa... E vi-me caminhando... Uma entre milhões e milhões de pessoas deste mundo... Pensei: O que faço aqui? Um dia, do nada, eu descobri... Eu vim cobrir de palavras os espaços vazios, talvez eu torne mais quente os dias frios. Sei que sou apenas um aprendiz de poeta. Um sonhador... Imagino um mundo melhor e escrevo-o... Em tantas linhas e versos, consigo talvez criar outros espaços... outros universos... Faz da tua vida uma verdadeira Arte!!! 
A arte é um caminho. Para muitos, pode ser um caminho apenas de prazer, um entretenimento. E de facto é um prazer fazer arte, mas esse carácter estará sempre na razão directa da pretensão e do grau de envolvimento, e portanto, do carácter do artista. A partir do momento em que ele estabelecer objectivos específicos para si e para a sua arte, havendo um envolvimento consistente, tais objetivos poderão tornar-se uma prioridade cada vez maior. Colocada dessa forma, a idéia pode parecer antipática para muitas pessoas. Porém é necessário levar em conta um aspecto irrecusável: Na arte, como em outros campos da vida, pode ser muito importante o mérito da autoria. Ou seja, pode ser imprescindível que nos sintamos no pleno direito de considerar determinado resultado como nosso, fruto do nosso esforço e discernimento, do nosso talento pessoal, produto autêntico da nossa alma, principal referência de auto-identificação... sê autentico a ti mesmo... 
O que um caminho tem de mais importante, seria a conquista final? Ou o somatório das muitas pequenas conquistas secundárias? A resposta mais evidente e sensata (ambas as coisas) é a mais difícil de ser realizada. Entretanto, e tratando-se de arte, de certa forma é quase sempre o que acaba por acontecer. Vou explicar... na arte, os grandes objectivos importam em longos percursos da alma do artista, o rumo se desloca várias vezes durante o trajecto e perde-se o sentido de atingir exactamente o ponto ansiado no início, já que surgem outros, alternativos e igualmente sedutores, no imenso horizonte das concepções. Quanto às conquistas secundárias, são na verdade o dia-a-dia do artista, seu verdadeiro prazer. É como disse uma vez Pablo Picasso: “O artista não pode esgotar completamente sua pintura. No dia em que isso acontecer, morrerão o artista e a sua arte”. ... o que se apenas ficares à espera da grande felicidade, vais perder os pequenos grandes momentos de real importância, enquanto esperas por algo subjectivo... 
Precisei viver muito (mas ainda tenho imenso pela frente), cair e levantar muitas vezes, para legitimar no meu silêncio a simples impressão de que tudo valeu a pena, por ter aprendido diversas coisas. Há uns anos atrás, li sobre o conceito cabalístico de amor. Achei que era uma coisa muito bonita, mas impossível de se conseguir. Parecia um paradoxo existencial insolúvel, porque parece pressupor o sacrifício da individualidade própria e sem ela, ainda que consigamos pisar no horizonte, não poderia haver nisso um mérito nosso, já que não terá sido uma obra nossa. Guardei o conceito com carinho numa das últimas gavetas da alma... Alguns anos se sucederam e através deles uma aparentemente infindável sucessão de sabores e dissabores, que deixavam uma coisa cada vez mais clara e incontestável na minha alma obstinada e pertinente: as melhores coisas que tinha conquistado não eram aquelas pelas quais me dispusera a tantos sacrifícios, não era a montanha, mas sim as que em algum momento pareceram-me uma pedra suficientemente firme, para enterrar o cravo e continuar a escalada. E isso foi verdadeiro em literalmente tudo. Sabia exactamente o que queria e, quase sempre, soube encontrar meios de prosseguir. Mas não sabia o mais essencial. Não sabia que nossas ambições são como uma miragem. Ainda que sejam alcançadas, podem durar bem pouco nas nossas mãos. Mesmo porque logo precisaremos desesperadamente de um novo objectivo. Precisaremos fazer isso, ou teremos a impressão de que todo o universo, em seu legítimo direito de prosseguir, está atropelar-nos lenta e minuciosamente. Talvez possamos parar para comemorar uma conquista, ou nenhuma conquista, como as pessoas mais frequentemente fazem, e assim exercer auto-estima, e simplesmente não querer mais nada. Porém não podemos interromper a sucessibilidade das coisas, ou a transitoriedade de tudo, o equilíbrio do universo... 
Como não podemos assumir nenhum dos extremos do paradoxo, ou seja, não podemos ser Deus nem tão pouco um inútil grão de areia, a solução está necessariamente no meio do caminho entre um e outro. Não é como encontrar uma agulha no palheiro, ou um determinado grão na praia, é muito mais difícil que isso!!!
Diversas vezes, por minha própria experiência, tenho a impressão de que posso propor uma solução... Redistribuir o feixe, contemplando mais as pequenas coisas do caminho, que estão sempre tão perto de nós, nem tanto no horizonte, em cuja distância o foco talvez se perca irremediavelmente... Não é fácil, concordo, mas deve ser uma espécie de aliança profunda. Sim, uma aliança porque assim daremos ao universo a oportunidade de participar muito mais proveitosa-mente das nossas conquistas, de nos oferecer alternativas, enquanto damos a nós mesmos a oportunidade de exercer mais legitimamente o nosso livre-arbítrio. Mas neste aspecto é preciso atenção, não te deixes iludir pelo possível conceito vulgar e tão divulgado... O tal livre-arbítrio, instituição criada a partir textos inspirados, não pode ser o direito absurdo de fazermos o que bem entendermos. Crer nisso seria subestimar a inteligência da Natureza, depois de super-estimar a nossa. 
Vê isso de outra forma, supõe que dizes um dia a um filho teu que parasse de brincar para fazer os trabalhos de casa. As crianças nunca têm pressa para aprender. Na verdade, ao fazer seus exercícios, querem mais se livrar da obrigação do que aprender o que os adultos pensam ser necessário. Então, se tu lhe desses uma repreensão, certamente ele faria os seus exercícios e alguma coisa sobre a matéria haveria de fixar na mente, além da repreensão, claro. Mas tenho a mais cristalina convicção de que tu sentirias-te um pai/mãe muito melhor, se ele resolvesse fazer os trabalhos e aprender por conta própria! Sem precisar de qualquer penalidade. A evolução dele e a sua satisfação seriam muito mais legítimos. Pois aí está, para mim, o sentido verdadeiro do livre-arbítrio, dentro dos limites da mente humana. Então, porque resolvemos criar nossos próprios objectivos e expectativas. Porque Deus, que não pode ser um pai menor do que qualquer ser humano, prefere não nos arrastar para casa pelos cabelos. Na verdade não se trata de uma liberdade, mas da oportunidade de escolher bem e com responsabilidade.
Partindo disto, tenho uma proposta simples, focamos o horizonte apenas para que tenhamos uma referência de direcção, depois criamos focos nas pequenas coisas que estão em nós, à nossa volta, entre nós e na mesma direcção que escolhemos. Sem perceber, estaremos abrindo mão de uma parte do nosso ego cabalístico, aquele que quer satisfazer a si próprio, entretanto, também estaremos a sintonizar a energia cósmica, que quer satisfazer todas as criaturas, humanas ou não, que possa escolher, segundo as preferências de cada uma...
Caminha no espaço infinito,
Toca nas estrelas
Nas asas do pensamento,
Solto o tempo e imprimo o vento,
Destino de dois seres criados!...
São caminhos cruzados!...
Por vezes suaves tapetes de relva que amaciam o passo,
Por outras vezes são pedras que dificultam a caminhada!
Por eles, lado a lado, caminham homem e mulher
Seres tão distintos, tão diferentes 
Mas tão compatíveis como uma imagem no espelho
Um caminho a percorrer
Um caminho a conquistar
Um destino a se fazer
Um amor a se perpetuar
Um caminho para viver
Um caminho para sonhar
Enfrentam as mesmas dificuldades,
Experimentam as mesmas lutas e sofrimentos,
A angústia de não poder ver
O que está atrás da próxima curva!
Em ambos os corações o desejo de vencer obstáculos,
Descobrir o caminho certo!
E quando percebem que juntos se tornam mais fortes,
Compreendem que um completa o outro
E que unidos podem construir um caminho mais suave
Deixando a caminhada mais leve!!!
O caminho do querer
O caminho do amar
Apenas um único caminho...
Mantenham-se a respirar!!!

O que mais importa é que se exerças a vida, a alma, que se ames e que cresças. A alma é o maior objectivo, o amor é o meio mais eficiente, e o caminho, quanto mais escuro mais guarda estrelas... É o mestre!!! Não existe maior luz do que aquela de quando vens de uma escuridão... e mesmo que durante o teu caminho te sentires perdido!!! Pensa que os atalhos só são criados nessa altura, e nada mais do que são do que formas mais rápidas de chegares ao destino e onde viverás algo que jamais pensas-te ser possível... Fica atento e ama a vida e segue o tem caminho!!!   



p.s. Carpe Diem